A UPEC se propõe a ser uma voz firme e forte em defesa da ética na política e na vida nacional e em defesa da cidadania. Pretendemos levar a consciência de cidadania além dos limites do virtual, através de ações decisivas e responsáveis.


domingo, 27 de maio de 2012


A Cosa Nostra Tupiniquim...

Bem amigos, parece que meu retiro espiritual, profissional e acima de tudo, "sacal', não teve a longevidade que eu acreditava que conseguiria.
Escrever um  Blog é viciante e a minha indignação com os rumos que a pocilga está tomando é "mais maior de grande" que a vontade de dar um tempo. Portanto, tamos de volta e na medida do possível iremos adequando o tempo ao Blog.  

Vamos ao que interessa:

Está circulando na Rede uma suposta denuncia via revista Veja, onde o ex presidente, o Enfermo, Defuntus Sebentus, teve um "furtivo" encontro com o Sinistro do STF Gilmar Mendes para tratar da operação "abafa" mensalão.

Segundo a reportagem, o Sebento foi ao encontro de Gilmar no escritório do EX sinistro da defesa, o Almirante da Cavalaria Aérea, Nelson TOM Jobim, aquele que foi sem nunca ter sido. Mais conhecido como o soldadinho de chumbo da república sindical do Brasil.

Segundo a reportagem, o EX presidente deu uma "prensa" no sinistro Gilmar para que ele de uma certa morosidade e amolecida no julgamento do mensalão, para que o julgamento não atrapalhe as eleições municipais deste ano.

E deu como garantias ao supremo sinistro, a "alisada" para o lado dele na CPI do Cachoeira, ou seja, ele pediu para que se abafe o julgamento de um crime com o silêncio e a garantia de impunidade de algum outro crime que o supremo juiz talvez tenha cometido no caso Cachoeira.

O EX presidente que jura de pés juntos que o crime do mensalão foi apenas um "golpe" para derruba-lo e que as investigações são uma fraude, onde os procuradores da república, a polícia federal, e o STF apenas estão trabalhando em conjunto para prejudicá-lo. E teve até promessas em rede nacional de TV que ele não descansaria após sua saída do "pudê" até provar que o mensalão não existiu....

Diante de tantas manobras obscuras e mafiosas, me parece que "o cara" anda um pouco preocupado demais com algo que nunca existiu,  e que se não for verdade como ele afirma, não se sustentará num julgamento sério e ético.

Bem, se o encontro realmente aconteceu, e o teor da conversa foi esse mesmo,  pelo que parece o EX presidente cometeu alguns crimes previstos nos códigos penal, eleitoral, e moral.  E justamente por esse fato é que a prova maior do crime do mensalão seja verdadeiro, afinal, um presidente que tinha 1.985.346% de aprovação quando deixou o poder não teria nada a temer caso não tivesse participado do bando. E as atitudes do Sebento são provas incontestes de que o mensalão EXISTIU a ponto de levar um ex presidente a cometer crimes e atos de imoralidade para livrar a própria fuça e a dus cumpanhêrus junto.

Agora começou a operação diz-que-me-diz, onde duas das três partes negam esse encontro, e a terceira se cala. E o Brasil que pensa vai ficando com a impressão de que está sendo controlado por um grupo mafioso mais perigoso que a "Cosa nostra" dos anos 30 nuzestaduzunidus.

O crime do mensalão vai a julgamento por conta da pressão popular dos brasileiros que pensam e não se deixam levar pelas mentiras contadas à exaustão por esses quadrilheiros da estrela vermelha. Pena que no STF não existam sinistros com isenção suficiente e ética tamanha para julgar e condenar aos próprios cumpanherus de bandalha. Afinal, a imensa maioria dos sinistros do supremo foram indicados por aquele a quem deve julgar, e o mais bizarro é que alguns deles são amigos pessoais do criminoso, e os que não são, sofrem esse tipo de pressão como a que estamos vendo nos noticiários.

O julgamento do mensalão seria a maior oportunidade que o povo brasileiro teria para conseguir uma limpeza ética e moral na política da pocilga, mas pelo que parece, tudo vai dar em nada, e os crimes cometidos pelo EX presidente, antes e depois de seu mandato, cairão no esquecimento esperto de gente totalmente descomprometida com o país, que estão trabalhando apenas para manter uma ideologia e um burro e desgastado projeto de poder perpétuo em funcionamento.
E o povo brasileiro que faz parte da banda podre do país, aqueles que só pensam em bola, em esculhambação, em se dar bem sem fazer força continuarão pastando em berço esplêndido a espera de um milagre.

Que o Sebento é bandido, isso ninguém jamais conseguiu me convencer do contrario desde as greves dos anos 80 no ABC, mas que ele era mafioso ao ponto de intimidar um juiz do STF, já é ir longe demais na crença de impunidade.

E pela qualidade da conversa, percebemos que o que importa para o Sebentão neste momento, não é a justiça, e sim a eleição. 

O poder a qualquer preço.

E para mudar este país de verdade, só pegando em armas, pois, com a qualidade e lisura das instituições, com as urnas eletrônicas, e com a parcela de eleitores que votam acreditando em Papai Noel, chega-se a conclusão que se não for na porrada, o Brasil não vai mudar nunca.


E PHODA-SE!!!!
 http://o-mascate.blogspot.com.br/

Reportagem de VEJA revela a obscena ofensiva de Lula para subjugar o Supremo e livrar do castigo a quadrilha do mensalão


DE:

Sábado, 26 de Maio de 2012 23:04


O ex-presidente Lula vem erguendo desde o começo de abril o mais obsceno dos numerosos monumentos à cafajestagem forjados desde 2005 para impedir que os quadrilheiros do mensalão sejam castigados pela Justiça

Direto ao Ponto


Por Augusto Nunes

Inquieto com a aproximação do julgamento, perturbado pela suspeita de que os bandidos de estimação correm perigo, o Padroeiro dos Pecadores jogou o que restava de vergonha numa lixeira do Sírio Libanês e resolveu pressionar pessoalmente os ministros do Supremo Tribunal Federal.

De novo, como informa a edição de VEJA, o colecionador de atrevimentos derrapou na autoconfiança delirante e bateu de frente com um interlocutor que não se intimida com bravatas.

A reportagem de Rodrigo Rangel e Otávio Cabral reproduz os momentos mais espantosos do encontro entre Lula e o ministro Gilmar Mendes ocorrido, há um mês, no escritório mantido em Brasília pelo amigo comum Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Defesa.


A conversa fez escala em assuntos diversos até que o palanque ambulante interrompeu o minueto para dar início ao forró do mensalão.

“Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, disse Gilmar a VEJA.

Não é para menos.

“É inconveniente julgar o processo agora”, começou Lula, lembrando que, como 2012 é um ano eleitoral, o PT seria injustamente afetado pelo barulho em torno do escândalo.

Depois de registrar que controla a CPI do Cachoeira, insinuou que o ministro, se fosse compreensivo, seria poupado de possíveis desconfortos.

“E a viagem a Berlim?”, perguntou em seguida, encampando os boatos segundo os quais Gilmar Mendes e Demóstenes Torres teriam viajado para a cidade alemã num avião cedido por Carlinhos Cachoeira, e com todas as despesas pagas pelo meliante da moda.

Gilmar confirmou que se encontrou com o senador em Berlim.

Mas esclareceu que foi e voltou em avião de carreira, bancou todas as despesas e tem como provar o que diz.

“Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá”,
informou, antes da recomendação final: “Vá fundo na CPI”. Lula preferiu ir fundo no palavrório arrogante.

Com o desembaraço dos autoritários inimputáveis, o ex-presidente que não desencarnou do Planalto e dá ordens ao Congresso disse o suficiente para concluir-se que, enquanto escolhe candidatos a prefeito e dá conselhos ao mundo, pretende usar o caso do mensalão para deixar claro quem manda no STF.

Alguns dos piores momentos da conversa envolveram quatro dos seis ministros que Lula nomeou:

CARMEM LÚCIA

“Vou falar com o Pertence para cuidar dela”. (Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF e hoje presidente da Comissão de Ética Pública, é tratado por Carmen Lúcia como “guru”).

DIAS TOFFOLI

“Ele tem que participar do julgamento”. (O ministro foi advogado do PT e chefe da Advocacia Geral da União. Sua mulher defendeu três mensaleiros. Mas ainda não descobriu que tem o dever de declarar-se sob suspeição).

RICARDO LEWANDOWSKI

“Ele só iria apresentar o relatório no semestre que vem, mas está sofrendo muita pressão”. (Só falta o parecer do revisor do processo para que o julgamento comece. Lewandowski ainda não fixou um prazo para terminar o serviço que está pronto desde que ganhou uma toga).
Os outros dois ministros nomeados por Lula são Joaquim Barbosa (considerado “um traidor”) e Ayres Britto, a quem Gilmar relatou na quarta-feira o encontro em Brasília.

O atual presidente do STF soube pelo colega que Lula pretende seduzi-lo com a ajuda do jurista Celso Antonio Bandeira de Mello, amigo de ambos e um dos patrocinadores da sua indicação. Imediatamente, Ayres Britto associou o que acabara de escutar ao que ouviu de Lula num recente almoço no Palácio da Alvorada. “O ex-presidente me perguntou se eu tinha notícias do Bandeirinha e disse: ‘Qualquer dia a gente toma um vinho’”, contou o ministro a VEJA.

Na mesma quarta-feira, a chegada ao STF de um documento assinado por dez advogados de mensaleiros comprovou que Lula age em parceria com a tropa comandada pelo inevitável Márcio Thomaz Bastos.

“Embora nós saibamos disso, é preciso dar mostras a todos de que o Supremo Tribunal Federal não se curva a pressões e não decide ‘com a faca no pescoço’”, diz um trecho desse inverossímil hino à insolência.

A expressão foi pinçada da frase dita em 2007 pelo ministro Ricardo Lewandowski, num restaurante em Brasília, depois da sessão que aprovou a abertura do processo do mensalão.
Faltou completar a frase do revisor sem pressa:
“Todo mundo votou com a faca no pescoço. A tendência era amaciar pro Dirceu”.

O escândalo descoberto há sete anos se arrasta no STF há cinco, mas os dez doutores criticaram “a correria para o julgamento, atiçada pela grita”.

Eles resolveram dar lições ao tribunal por estarem “preocupados com a inaudita onda de pressões deflagradas contra a mais alta corte brasileira”.

O Brasil decente faz o que pode para manifestar seu inconformismo com o tratamento gentil dispensado pela Justiça a pecadores que dispõem de padrinhos poderosos e advogados que cobram por minuto.

São pressões legítimas.
Preocupante é o cerco movido a um Poder independente por um ex-chefe do Executivo.

Isso não é uma operação política, muito menos uma ação jurídica. É um genuíno caso de polícia.

Se os bacharéis do mensalão efetivamente se preocupam com pressões ilegais, devem redigir outro documento exigindo que Lula aprenda a comportar-se como ex-presidente e pare de agir como comparsa de um bando fora-da-lei.
26/05/2012

 
 
 
 

QUE FIQUE CLARO! AVANÇO DE LULA SOBRE O STF É AINDA MAIS GRAVE DO QUE ESCÂNDALO DO MENSALÃO. É A MAIS GRAVE AGRESSÃO AO ESTADO DE DIREITO DESDE A REDEMOCRATIZAÇÃO. O DICIONÁRIO REGISTRA O QUE LULA TENTOU PRATICAR: “CHANTAGEM”!!!

27/05/2012
às 7:03

Caros, é preciso dar à iniciativa de Lula, de tentar encabrestar o Supremo (ver post na home), a sua devida dimensão. Espalhem a verdade na rede. Um ex-presidente da República, chefe máximo do maior partido do país  — que está no poder —, atuou e atua como chantagista da nossa corte suprema. Lula se coloca no papel de quem pode chantagear ministros do STF.

Nosferatu não quer largar o nosso pescoço e o do estado de direito! Chega, Nosferatu!  Vá militar no Sindicato dos Vampiros Aposentados!
Nosferatu não quer largar o nosso pescoço e o do estado de direito! Chega, Nosferatu! Vá militar no Sindicato dos Vampiros Aposentados!

A reportagem que VEJA traz na edição desta semana expõe aquela que é a mais grave agressão sofrida pelo estado de direito desde a redemocratização do país — muito mais grave do que o mensalão!!! Alguns setores da própria imprensa resistem em dar ao caso a sua devida dimensão, preferindo emprestar relevo a desmentidos tão inverossímeis quanto ridículos, porque se acostumaram a ter no país um indivíduo inimputável, que se considera acima das leis, das instituições, do decoro, dos costumes, do razoável e do bom senso. Quanto ao dito “desmentido” de Nelson Jobim, acho que o post publicado pelo jornalista Jorge Moreno (ver abaixo) fala por si mesmo.

Não há por que dourar a pílula. O que Lula tentou fazer com Gilmar Mendes tem nome nos dicionários: “chantagem”. O Houaiss assim define a palavra, na sua primeira acepção:

“pressão exercida sobre alguém para obter dinheiro ou favores mediante ameaças de revelação de fatos criminosos ou escandalosos (verídicos ou não)”.

Atenção, minhas caras, meus caros, para a precisão do conceito: “verídicos ou não”!!! No “Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa”, aquele que já registra o verbete “petralha”, lemos:

“Pressão que se exerce sobre alguém mediante ameaça de provocar escândalo público, para obter dinheiro ou outro proveito; extorsão de dinheiro ou favores sob ameaça de revelações escandalosas”.

Atenção para a precisão do conceito: “mediante ameaça de provocar escândalo público”. A questão, pois, está em “provocar o escândalo”, pouco importando se com fatos “verídicos ou não”.

Aplausos para o ministro Gilmar Mendes, que não se acovardou! É bom lembrar que, pouco depois dessa conversa, seu nome circulou nos blogs sujos, financiados com dinheiro público, associado à suposição de que teria viajado à Alemanha com o patrocínio de Carlinhos Cachoeira. Não aconteceu, claro! Mendes tomou as devidas precauções: comunicou o fato a dois senadores, ao procurador-geral da República e ao Advogado Geral da União. Poderia mesmo, dada a natureza da conversa e seu roteiro, ter, no limite, dado voz de prisão a Lula. Imaginem o bafafá!

Não é segredo para ninguém

As ações de Lula nos bastidores não são segredo pra ninguém. TODOS — REITERO: TODOS!!! — OS JORNALISTAS DE POLÍTICA COM UM GRAU MÍNIMO DE INFORMAÇÃO PARA SE MANTER NA PROFISSÃO SABEM DISSO! E sabem porque Lula, além de notavelmente truculento na ação política — característica que passa mais ou menos despercebido por causa de estilo aparentemente companheiro e boa-praça —, é também um falastrão. Conta vantagens pelos cotovelos. Dias Toffoli, por exemplo, é um que deveria lhe dar um pito. O ex-presidente e seus estafetas têm a pretensão não só de assegurar que ele participará do julgamento como a de que conhecem o conteúdo do seu voto.

Lula perdeu a mão e a noção de limite. Não aceita que seu partido seja julgado pelas leis do país, assim como jamais aceitou os limites institucionais nos quais tinha de se mover. Considera que a legalidade existe para tolher seus movimentos e para impedir que faça o que tem de ser feito “nestepaiz”.

Sua ação para encabrestar ministros do Supremo é, se quiserem saber, mais nefasta do que o avanço do Regime Militar contra o Supremo. Aquele cassou ministros — ação que me parece, em muitos aspectos, menos deletéria do que chantageá-los. O mensalão foi uma tentativa de comprar o Poder Legislativo, de transformá-lo em mero caudatário do Executivo. A ação de agora busca anular o Judiciário — na prática, o Poder dos Poderes.

Obrigação do Supremo
 
O Supremo está obrigado, entendo, a se reunir para fazer uma declaração, ainda que simbólica, à nação: trata-se de uma corte independente, de homens livres, que não se submete nem à voz rouca das ruas nem à pressão de alguém que se coloca como o dono da democracia — e, pois, como o líder de uma tirania.

Chegou a hora de rechaçar os avanços deste senhor contra as instituições e lhe colocar um limite. A Venezuela não é aqui, senhor Luiz Inácio. E nunca será! De resto, é inescapável constatar: ainda que haja ministros que acreditem, sinceramente e por razões que considera técnicas, que os mensaleiros devem ser inocentados, não haverá brasileiro nestepaiz que não suspeitará de razões subalternas. Pior para o ministro? Pode até ser, mas, acima de tudo, pior para o país.

Lula se tornou um vampiro de instituições. É um passado que não quer passar. É o Nosferatu do estado de direito!
Texto publicado originalmente às 5h36
Por Reinaldo Azevedo
 

Na “Rádio do Moreno” – O desmentido de Jobim que vale por uma confirmação

Ao jornalismo, digamos, preguiçoso, basta reproduzir por aí: “Jobim nega que Lula tenha discutido mensalão com Gilmar”. E é claro que é chegada a hora de haver uma reunião entre  os editores e os diretores de redação para bater o martelo: “Vamos parar de enganar os leitores?” Jorge Moreno, de “O Globo”, que tem a página eletrônica Rádio do Moreno, é um repórter que sabe das coisas. Escreve um texto delicioso sobre as negativas de Nelson Jobim, segundo quem Lula jamais pressionou Gilmar Mendes. Ah, sim: Moreno lembra que o prazer do “repórter furado” é escrever o seguinte lead: “Fulano desmente…” Pois é! Reproduzo seu texto na íntegra.

Um fato e duas versões: Gilmar e Jobim

Um fato e duas versões. Em “furo” de reportagem, a Revista Veja revela um encontro de Lula com Gilmar Mendes no escritório de Nelson Jobim em Brasília. A conversa foi tenebrosa, pelo que se lê na revista. Indignado com o assédio, Gilmar Mendes, num gesto de coragem, confirmou tudo à revista.

Pois bem, acabo de falar com o anfitrião do encontro, Nelson Jobim, que está neste momento passeando por uma feira em Itaipava, em companhia da mulher Adrienne e de amigos do casal. Jobim confirma o encontro, mas nega seu conteúdo. Eis o resumo do seu relato à Radio do Moreno;

Conteúdo da conversa: “Não houve nada disso do que a VEJA, segundo me informaram, está publicando. Estou aqui em Itaipava e soube desse conteúdo através de um repórter do Estadão, que me procurou há pouco. Portanto, estou falando sem ter lido a revista. Mas, posso assegurar que, se o conteúdo for mesmo esse, o de que Lula teria pedido a Gilmar para votar no mensalão, não é verdade. Quem tocou no assunto mensalão fui eu, no meio da conversa, fazendo a seguinte pergunta: ‘Vem cá, essa coisa do mensalão vai ser votada quando?’. No mais, a conversa girou sobre assuntos diversos da atualidade.”

Razão do encontro

“Desde que deixei o ministério, o presidente Lula tem me prometido uma visita. Três dias antes, a assessora Clara Ant me ligou dizendo que o presidente Lula iria a Brasília conversar com a presidente Dilma numa quarta-feira e que retornaria no dia seguinte, mas antes queria falar comigo. De pronto, respondi que o encontro poderia ser na minha casa, no meu escritório ou em qualquer outro lugar que o presidente quisesse. Lula optou pelo meu escritório, não só porque tinha prometido conhecê-lo, mas, também, porque fica perto do aeroporto. E assim ocorreu.”

Presença do Gilmar

“O Gilmar e eu estamos envolvidos num projeto sobre a Constituição de 88 e temos nos reunidos sistematicamente para tratar do assunto. Por coincidência, o Gilmar estava no meu escritório, quando o presidente Lula apareceu para a visita. Conversaram cerca de uma hora, mas só amenidades. Em nenhum momento, Lula e Gilmar conversaram na cozinha. Aliás, Lula não esteve na cozinha do escritório.”

Repercussões do fato

“Agora, não posso controlar as versões, especulações, que a mídia e as pessoas fazem desse encontro. Faz parte do jogo. O que eu posso dizer é que não houve nada disso.”

Diante do relato de Jobim, eu, como repórter crédulo, diante de fonte tão idônea, poderia me dar por satisfeito e fazer um texto jornalisticamente convencional, tipo ” Jobim nega pressão de Lula” ou, como nós furados gostamos de fazer, com muita satisfação: “Jobim DESMENTE a VEJA”.

Mas, durante a conversa, eu notei a voz estranha do Jobim. Ele estava cumprindo um rito, um protocolo, um dever de anfitrião de evitar mais constrangimento a si e a outros atores do espetáculo. Os bons repórteres, como os meninos da Veja, [Otávio|Cabral à frente, são uma espécie de Eike Batista às avessas: “Vazou, furou”. Com a notícia na rua, o encontro secreto de Jobim, que tinha um propósito, pode ter outro, o de tentativa de coação de juiz ou coisa que valha. Seria coerção? sei lá.

Nelson Jobim, meu velho amigo de guerra, não ia me deixar na mão. Repito: como anfitrião, não poderia confirmar o escândalo. Mas me deu uma pista através de um controvertido depoimento.

 Inicialmente, me disse que a presença de Gilmar foi mera coincidência, do tipo “Ah, eu estava passando por aqui…”. Só que o próprio Jobim deixou escapar que o encontro fora marcado com três dias de antecedência. Logo, Gilmar sabia que, naquele horário daquela quinta-feira, Jobim estaria recebendo Lula. Então, não foi surpresa nem coincidência coisa nenhuma!

E deixo pra botar no pé, o fim do mistério. Amiga minha, de Diamantino (MT), terra de Gilmar Mendes, a meu pedido, localiza Gilmar. E se atreve a perguntar se era tudo verdade:
“Claro que é! Eu mesmo confirmei tudo à revista.”
Texto publicado originalmente às 2h25
Por Reinaldo Azevedo

O outro lado da verdade.

domingo, 27 de maio de 2012

Bancário, dona de casa, motorista de táxi, empresário, militares, incluindo um marinheiro britânico, um capitão americano e um major alemão. A lista de mortos por militantes da esquerda armada durante o regime militar (1964-1985) é variada. Não existem estatísticas exatas, assim como não se tem números precisos dos esquerdistas mortos pelas forças governamentais. As vítimas da esquerda são tradicionalmente aceitas como sendo 120 pessoas mortas, das quais 61 são militares e policiais e 59, civis. 

Não há consenso sobre as vítimas da repressão. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência listou em 2007 356 casos reconhecidos. Estudo de familiares de mortos e desaparecidos aponta 426. A lista mais completa das pessoas mortas pela esquerda armada está no site do grupo Terrorismo Nunca Mais (www.ternuma.com.br). É um grupo obviamente engajado, como ele se define: "Um punhado de democratas civis e militares inconformados com a omissão das autoridades legais e indignados com a desfaçatez dos esquerdistas revanchistas". 

O nome do grupo foi criado em oposição às ONGs de nome "Tortura Nunca Mais", criadas para representar as vítimas da ditadura e atuar na área de direitos humanos. Com exceção de casos de "justiçamento" por "tribunais revolucionários" -o assassinato de pessoas consideradas traidoras-, a maior parte dos civis morreu por estar no lugar errado na hora errada, como perto da explosão de uma bomba. A luta armada das organizações de esquerda envolveu tanto guerrilha rural como urbana. Mas foi nas cidades que ocorreu a maior parte das mortes, visto que foi nelas que a atuação dos militantes comunistas foi mais intensa e eficaz. A guerrilha na região do rio Araguaia foi facilmente debelada, com poucas mortes entre militares. 

Isso fica patente ao se constatar que morreram bem mais policiais, civis e militares, do que soldados das três forças. A lista inclui nove militares do Exército e nada menos que 24 oficiais, sargentos e soldados da PM de São Paulo, estado onde a guerrilha urbana foi mais intensa. "É necessário que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poderá sobreviver se está disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão, e se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas", escreveu Carlos Marighella, em seu "Manual do Guerrilheiro Urbano".

Marighella, ex-deputado pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) cassado em 1947, fundou a ALN (Aliança Libertadora Nacional), que foi o mais forte dos grupos de guerrilha urbana. O ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Paulo Vannuchi, um dos criadores da Comissão da Verdade, foi militante da ALN. Em junho de 1969 militantes da ALN incendiaram um carro de polícia em São Paulo, então comumente chamados de "rádio-patrulha", matando dois soldados, Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, para roubar armas.

Vítimas particularmente vulneráveis eram os sentinelas, parados à frente de quartéis e alvos fáceis de ataques surpresas. Três soldados da PM paulista morreram nessa situação -Naul José Montovani, Antônio Carlos Jeffery e Eduardo Custódio de Souza. O auge do conflito ocorreu entre 1968 e 1974. Tanto os militantes de esquerda como os policiais e militares chamam o confronto de "guerra". Isso cria polêmicas jurídicas. O "direito da guerra" costuma se referir à conflitos entre estados, regulando, por exemplo, o tratamento de prisioneiros. Em uma guerra "civil" ou de "insurgência" não existem regras precisas.

Os esquerdistas se consideravam "guerrilheiros"; os policiais e militares os classificam como "terroristas".Um dos atentados a bomba de maior impacto ocorreu em julho de 1966, bem antes do endurecimento do regime, depois da edição do Ato Institucional número 5 em 1968. Uma bomba no aeroporto de Guararapes, em Recife, matou o jornalista Edson Régis de Carvalho e o almirante reformado Nelson Gomes Fernandes; houve 14 feridos. O almirante foi o militar de maior patente morto pela esquerda, embora não fosse o alvo; o objetivo era matar o general Artur da Costa e Silva, que se tornaria o segundo presidente do regime militar. 

Para financiar suas ações a esquerda armada costumava assalta bancos. Osíris Motta Marcondes, gerente do Banco Mercantil, foi morto em 1967 durante assalto em São Paulo. Em 1969, no Rio, tombou outro gerente, José Santa Maria, do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Disputando com Marighella o primeiro lugar no panteão da "guerrilha" -ou do "terror"- de esquerda está o ex-capitão do Exército Carlos Lamarca, da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Em 1969 ele matou o guarda-civil Orlando Pinto da Silva com dois tiros, durante assalto ao Banco Itaú. 

No ano seguinte Lamarca também matou o policial federal Hélio de Carvalho Araújo com um tiro de revólver e ordenou a morte do tenente da PM paulista Alberto Mendes Júnior, a coronhadas. Entre as vítimas estrangeiras está o marinheiro britânico David Cuthberg, que veio ao Rio com uma flotilha da Marinha Real como parte das comemorações dos 150 anos da independência do Brasil. Havia centenas de marinheiros, mas bastava um para servir de "exemplo". Ele e um amigo pegaram um táxi para visitar a cidade e foram metralhados. O amigo e o taxista sobreviveram.

15/04/71
O industrial Henning Albert Boilesen, que presidia a Ultragás, foi assassinado na manhã de 15 de abril de 1971 em São Paulo (ao lado), pela da ALN, com vários tiros nas costas. Dinamarquês naturalizado brasileiro, Boilesen era acusado de financiar a Oban, que combatia a guerrilha urbana
01/07/68
O major do Exército alemão Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen fazia um curso na Escola de Comando e Estado Maior, no Rio. Foi executado por ter sido confundido com Gary Prado, comandante do destacamento que prendeu Che Guevara na Bolívia, que cursava a mesma escola
10/05/70
O tenente Alberto Mendes Junior comandava um destacamento da Polícia Militar que interceptou o grupo de guerrilheiros de Carlos Lamarca em Eldorado Paulista, no Vale do Ribeira. No conflito, Mendes se rendeu, e depois for morto a coronhadas, para evitar tiros que revelassem a posição do grupo
26/06/68
O soldado Mário Kozel Filho foi morto quando um militante da VPR jogou um caminhão-bomba contra o quartel-general do 2º Exército, no Ibirapuera, em São Paulo
12/10/68
Veterano do Vietnã, o capitão dos EUA Charles Rodney Chandler cursava sociologia em SP quando foi morto. Para a VPR, ele era um agente da CIA que ensinava técnicas de tortura no Brasil, o que era falso 

(Publicado na Folha de São Paulo)

sábado, 26 de maio de 2012

Quem governa?

Sábado, 26 de Maio de 2012 21:04

 
Quem governa?

Aqueles em que votamos?

Que elegemos para dirigir os destinos do País e, portanto, o nosso?

Parece que não é tão simples assim


Maria Lucia Victor Barbosa


Dilma Rousseff ganhou a eleição presidencial, contudo, é o ex-presidente Lula da Silva que em larga medida ainda governa.

Mesmo porque, volta e meia ele se reúne com sua afilhada para orientá-la e teve o cuidado de indicar a maioria dos ministros que compuseram o ministério de Rousseff.

Não deu certo porque muitos ministros caíram, não porque foram faxinados pela presidente, mas porque se tornou inviável mantê-los depois da enxurrada de provas de corrupção que circularam pela imprensa.

Não é à toa que Lula sempre atacou a mídia e o PT sonha há tempos em acabar com a liberdade de expressão, algo recentemente ostentado claramente pelo presidente do partido, Rui Falcão.
 
Lula da Silva manda tanto que tem maquinado acertos eleitorais e, contrariando a presidente Rousseff que deve ter lá seus motivos para não ter querido a CPI do Cachoeira, ordenou que a Comissão fosse criada.

Seu intuito segundo jornais e revistas seria o de salvar companheiros envolvidos no escândalo do “mensalão”, especialmente o chamado chefe da quadrilha, José Dirceu; desmoralizar o PSDB por conta do suposto envolvimento do governador de Goiás, Marconi Perillo, com o bicheiro; desmerecer o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que denunciou os quadrilheiros do esquema e, de quebra; conseguir ganhar em São Paulo elegendo o desastrado ex-ministro da Educação, Fernando Haddad.
Entretanto, se Lula é tido como um gênio da política a jogada da CPI do Cachoeira não está dando certo.

A ida de Carlos Augusto de Almeida Ramos ao Congresso foi desmoralizante.

Afinal, os parlamentares sabiam de antemão que Cachoeira ficaria em silêncio por direito constitucional e por orientação de seu advogado, Márcio Thomaz Bastos que, curiosamente, foi ministro da Justiça de Lula da Silva. Mesmo assim, senadores e deputados aproveitaram a oportunidade para fazer da pantomima seu palanque com performances de indignação que não existiram, por exemplo, diante do silêncio de Delúbio Soares e Silvinho Land Rover em outra CPI que, como as demais, resultou em nada.

A senadora Kátia Abreu, outrora DEM agora PSB, portanto, da base aliada do governo, foi cortante: “Isso é ridículo. Estamos aqui perguntando para uma múmia. Não vou ficar aqui dando ouro para um bandido. Não vamos fazer papel de bobo para um chefe de quadrilha com cara de cínico”. 
 
O deputado do PR-DF, Ronaldo da Fonseca, saiu-se com essa: “O senhor está com vontade de responder, seu Cachoeira, mas não responda agora não”.
A senadora bem que poderia ter pedido o encerramento não apenas da sessão, mas da grotesca CPI.

Afinal, se continuarem blindando a empreiteira Delta e seu dono, Fernando Cavendish, além de governadores e demais políticos envolvidos, a CPI não terá a menor serventia.

Culpem, então, a senhora que serve cafezinho na Delta, o office-boy da Veja e apressem o que já se sabe irá acontecer: o impeachment do senador Demóstenes.

Feito isso, desmontem o picadeiro.

Quanto ao deputado Ronaldo, foi impróprio para maiorais. Imagine-se se Cachoeira resolvesse falar. Não ia sobrar muito gente.

Na verdade, a CPI ficou desmoralizada quando o deputado petista, Cândido Vaccarezza, enviou um SMS para o governador peemedebista do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, grande amigo de Lula da Silva e de Fernando Cavendish, com os seguintes dizeres na mais pura versão da “Flor do Lácio”: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe. Você é nosso e nós somos teu”.
Aqui se volta à pergunta inicial:

Quem governa?

Além daqueles que elegemos para cargos do Executivo e do Legislativo, tudo indica que fomos governados também por Carlinhos Cachoeira tal seu poder de influência.


Ele possuía uma impressionante rede de relações no Judiciário, na Polícia, no Ministério Público, no Executivo, no Legislativo, no mundo dos negócios. Cavendish, dono da empreiteira mais agraciada com obras pelo governo federal, pelo governo do Rio de Janeiro e de outros Estados, foi chamado de “sócio oculto” do contraventor.

Além disso, Cachoeira nomeava pessoas, influía nas emendas ao Orçamento da União. Se isso não é governar não sei mais o que é.

Esse imenso poder paralelo não impede o imperial comando de Lula da Silva.

O processo do “mensalão” que se arrasta há quase sete anos corre o risco de não dar em nada se Lula insistir na tese de que o “mensalão” não existe.

Se isso acontecer será a pá de cal no Estado Democrático de Direito e o PT continuará a reinar junto com os que também mandam no País: os Cachoeiras e o poder paralelo dos traficantes e de outros tipos de bandidos que afrontam impunemente a população.

Afinal, sem o cumprimento das leis um país não é civilizado.

Prevalece o “estado de natureza” de que falou Hobbes, “onde não há teu nem meu, mas o que eu puder tomar, pelo tempo que puder conservar”.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga