Retirei este comentário de um dos leitores do REINALDO chamado SAULO - COMENTÁRIO ESTE QUE FOI APLAUDIDO POR TODOS OUTROS LEITORES, E QUE É TAMBÉM O MEU
EU NÃO QUERO ASSISTIR à OUTRA PALHAÇADA COMO A DA ELEIÇÃO PASSADA
Está em mim, AINDA, as palavras de ROBETO JEFFERSON de que AÉCIO NEVES salvou LULA do impeachment no caso escabroso do mensalão. MENSALÃO ESTE QUE FOI PARA SUPER-TRIBUTAR PENSÕES E APOSENTADORIAS DE VELHOS E QUE SERVIRIAM COMO BASE DE CORRUPÇÃO
EU NÃO FAÇO PARTE DESTA TURMA
NEM EU ,NEM SAULO, NEM TODOS OS BRASILEIROS DECENTES
FALA PSDB- DE QUE VC TÉM MEDO?
LEIAM
Que o Serra prossiga na sua estratégia de colocar Lula acima do bem e do mal, se acha que isto é o mais correto, e que ele e o país arquem com as conseqüências depois. Afinal de contas, Lula tem 76% de “popularidade” , não é mesmo? E não é candidato, certo? Não no papel, pelo menos, já que está empenhado, claramente, num terceiro mandato por procuração.
Seja como for, a oposição tem que parar com essa história de não falar mal do Lula por causa dessa “popularidade” comprada com dinheiro público. Tem que falar mal, sim. Tem que falar da propaganda enganosa, do culto à personalidade, das gafes monumentais, da ignorância crassa, da boçalidade explícita, da mitomania, da megalomania, da usurpação das realizações de governos anteriores, do Golpe do Mensalão Nacional, da compra do PTB, do propinoduto do bingo, do estupro do sigilo bancário do “simples” caseiro, da estarrecedora denúncia de Duda Mendonça sobre a eleição de 2002, do financiamento ilícito de campanha, da denúncia - jamais apurada - de dinheiro das Farc e de Cuba na eleição de 2002, do Marcos Valério, do Delúbio, do Zé Dirceu, do Silvinho, do Genoíno, do Berzoíne, do Palócci, dos dossiês, dos aloprados, do Partido da Bandidagem, das contas pessoais pagas pelo Okamoto, do compadre Teixeira, da VarigLog, do Lulinha, do Vavá, do Sarney, do Renan, do Collor, do Fidel, do Hugo Chávez, do Evo, do colar de folhas de coca, da propagação epidêmica do crack no país, do Boi e dos bois, da morte do preso político cubano, da extradição dos boxeadores cubanos, da proteção a membros das Farc e terroristas diversos, do apoio às Farc, do apoio ao golpe bolivariano em Honduras, do financiamento de protoditaduras bolivarianas, da entrega de instalações da Petrobrás ao índio cocalero, das tentativas de amordaçar a imprensa, da compra da imprensa, das negociatas da Oi e da Telebrás, do golpe da Bancoop, dos fundos de pensão, das CPIs (inclusive da Petrobrás) sabotadas pelos governistas, do uso abusivo dos cartões corporativos, do fiasco da política externa, do apoio à bomba nuclear iraniana, da subordinação aos ditames do Foro de São Paulo, do desenfreado aparelhamento da máquina pública, do financiamento de uma organização paramilitar (MST), do “patrimonialismo selvagem”, do uso eleitoreiro da máquina pública, dos crimes eleitorais, dos institutos de pesquisas fajutos, das mentiras, do despreparo e do passado negro da candidata biônica, da campanha eleitoral antecipada desde o início de 2009, da degradação da ética, da política e das instituições republicanas, da inacreditável dívida pública, da irresponsabilidade fiscal, da carga tributária escorchante, dos juros astronômicos, do pibezinho, do pouco investimento em infraestrutura, da roubalheira e do fracasso do PAC, da roubalheira na organização dos Jogos Panamericanos, da roubalheira na organização da Copa do Mundo, dos currais eleitorais do “bolsismo”, da tentativa de golpe bolivariano pelo PNDH-3, e de coisas (muitas outras coisas!) que tais…
Aliás, vou mais além até: se é necessário calar sobre tudo isso para ganhar a eleição, face à manifesta imbecilidade e conivência do povo brasileiro, não contem comigo! Estou pronto para perder!
domingo, 23 de maio de 2010
Vira-latas? Não, pavões
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
Fonte: Blog do Noblat
Dizem que foi ingenuidade ou tolice acreditar que o presidente Lula poderia estar no caminho certo ao partir cheio de vento para um acordo no qual acreditava piamente. Eu, pecadora, me confesso.
Embora duvidando, por achar que apesar de mascate experiente, Lula ia lidar com mascates milenares e com fanáticos religiosos, sonhei com a possibilidade de que a missão fosse bem sucedida, o que seria muito bom para a Humanidade. Sonhamos o mesmo sonho, Lula e eu, pelo visto.
E o Lula conseguiu aquilo que outros países não conseguiram. O iraniano assinou o documento que ainda não tinha assinado e com todos os pontos que os países do Conselho de Segurança da ONU exigiam. Não cheguei a comemorar. Não deu tempo...
Lula comemorou? Lá em Teerã, sim. Da mesma forma que comemora os gols do Corinthians e com a mesma pose. Mas depois, completamente fora de seu modo de ser, ele fechou a cauda do pavão e não fez nem um daqueles esparrames que costuma fazer, adjetivando o que faz como extraordinário e "nuncaantes". Ficou muito quieto.
Estranhíssimo, não fosse a lambada que levou de Ahmadinejad. Mal Lula deixou Teerã, o iraniano declarou que ia continuar enriquecendo urânio em seu território. O que levou as potências ocidentais a reagir com energia e pouca simpatia, apesar das palavras ocas e amáveis da sra.Clinton, que reconhecia os esforços valorosos da Turquia e do Brasil. Ficaram furiosos, essa é a verdade, por vários motivos, entre os quais o fato do penetra estar querendo ser dono da festa...
O silêncio de Lula continuava. É verdade que ele saiu de Teerã para Madrid. Mas logo que chegou de volta a Brasília, não ter falado em cadeia de Rádio e TV sobre seu grande feito, francamente, não combina com o pavão. O sonho da cadeira no Conselho de Segurança lhe escapou pelos dedos e ele sabe disso.
E dessa vez não tem a quem culpar. Não pode dizer que foi herança maldita do FHC nem nada. Não pode nem culpar Celso Amorim, ele é o chefão. Mas eu, como cidadã brasileira, posso. O presidente Lula não tem a mesma obrigação que Celso Amorim tem de saber o que se pode e o que não se pode fazer em termos diplomáticos. Amorim não é um novato. E não precisava ter colocado o Brasil (e o Ministério das Relações Exteriores) nessa fria.
O Brasil tornou-se um dos dois fiadores da palavra de Ahmadinejah. Não foi um excesso? Em minha opinião, sim. Além de nos colocar em situação frágil, o papel de protagonista de peso no cenário internacional, que afinal não é um sonho louco, e que era o que me dava certa esperança de que Lula não daria o passo maior do que a perna, já era.
O acordo é um documento com 10 pontos. Só dez. Em linguagem mais simples que um contrato de aluguel de quarto e sala aqui no Rio. O Irã vai cumprir? Não sabemos, ninguém sabe. Mas tenho a impressão que não serão as sanções internacionais que farão aquele país cumprir a palavra dada. Infelizmente.
E nós não somos vira-latas coisa nenhuma... Uma das provas é este texto: só mesmo uma pavoa para escrever sobre assunto tão complexo.
Mas hay derecho. Segundo li hoje mesmo, faço parte do povo que dedica 148 dos 365 dias que o ano tem, para sustentar este país lulático. Pelo menos que nos deixem falar!
Fonte: Blog do Noblat
Dizem que foi ingenuidade ou tolice acreditar que o presidente Lula poderia estar no caminho certo ao partir cheio de vento para um acordo no qual acreditava piamente. Eu, pecadora, me confesso.
Embora duvidando, por achar que apesar de mascate experiente, Lula ia lidar com mascates milenares e com fanáticos religiosos, sonhei com a possibilidade de que a missão fosse bem sucedida, o que seria muito bom para a Humanidade. Sonhamos o mesmo sonho, Lula e eu, pelo visto.
E o Lula conseguiu aquilo que outros países não conseguiram. O iraniano assinou o documento que ainda não tinha assinado e com todos os pontos que os países do Conselho de Segurança da ONU exigiam. Não cheguei a comemorar. Não deu tempo...
Lula comemorou? Lá em Teerã, sim. Da mesma forma que comemora os gols do Corinthians e com a mesma pose. Mas depois, completamente fora de seu modo de ser, ele fechou a cauda do pavão e não fez nem um daqueles esparrames que costuma fazer, adjetivando o que faz como extraordinário e "nuncaantes". Ficou muito quieto.
Estranhíssimo, não fosse a lambada que levou de Ahmadinejad. Mal Lula deixou Teerã, o iraniano declarou que ia continuar enriquecendo urânio em seu território. O que levou as potências ocidentais a reagir com energia e pouca simpatia, apesar das palavras ocas e amáveis da sra.Clinton, que reconhecia os esforços valorosos da Turquia e do Brasil. Ficaram furiosos, essa é a verdade, por vários motivos, entre os quais o fato do penetra estar querendo ser dono da festa...
O silêncio de Lula continuava. É verdade que ele saiu de Teerã para Madrid. Mas logo que chegou de volta a Brasília, não ter falado em cadeia de Rádio e TV sobre seu grande feito, francamente, não combina com o pavão. O sonho da cadeira no Conselho de Segurança lhe escapou pelos dedos e ele sabe disso.
E dessa vez não tem a quem culpar. Não pode dizer que foi herança maldita do FHC nem nada. Não pode nem culpar Celso Amorim, ele é o chefão. Mas eu, como cidadã brasileira, posso. O presidente Lula não tem a mesma obrigação que Celso Amorim tem de saber o que se pode e o que não se pode fazer em termos diplomáticos. Amorim não é um novato. E não precisava ter colocado o Brasil (e o Ministério das Relações Exteriores) nessa fria.
O Brasil tornou-se um dos dois fiadores da palavra de Ahmadinejah. Não foi um excesso? Em minha opinião, sim. Além de nos colocar em situação frágil, o papel de protagonista de peso no cenário internacional, que afinal não é um sonho louco, e que era o que me dava certa esperança de que Lula não daria o passo maior do que a perna, já era.
O acordo é um documento com 10 pontos. Só dez. Em linguagem mais simples que um contrato de aluguel de quarto e sala aqui no Rio. O Irã vai cumprir? Não sabemos, ninguém sabe. Mas tenho a impressão que não serão as sanções internacionais que farão aquele país cumprir a palavra dada. Infelizmente.
E nós não somos vira-latas coisa nenhuma... Uma das provas é este texto: só mesmo uma pavoa para escrever sobre assunto tão complexo.
Mas hay derecho. Segundo li hoje mesmo, faço parte do povo que dedica 148 dos 365 dias que o ano tem, para sustentar este país lulático. Pelo menos que nos deixem falar!
O orlando de 4 bilhões de reais e o recomeço da farra olímpica
SEÇÃO » Direto ao Ponto
21 de maio de 2010
- Por Augusto Nunes
Em janeiro de 2009, o Tribunal de Contas da União constatou que foi estabelecido, nos Jogos Pan-americanos do Rio, um recorde de espantar qualquer especialista internacional em desvio de verbas: o superfaturamento chegou a 1.000% de altitude. Graças a proezas semelhantes, os organizadores do Pan-2007, liderados por um aparente zero à esquerda, operaram o milagre da multiplicação do zero à direita.
Em 4 de abril de 2006, quando Orlando Silva virou ministro do Esporte, o evento estava orçado em R$ 386 milhões. Em parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro e a prefeitura carioca, o representante do PCdoB no primeiro escalão conseguiu torrar 10 vezes mais. Orlando Silva continua ministro. O paradeiro de boa parte dos R$ 4 bilhões continua ignorado.
Num país menos cafajeste, o campeão da gastança teria sido prontamente demitido. No Brasil da Era Lula, ficou melhor no retrato. Acampado no mesmo gabinete, administra no momento a catarata de verbas federais destinadas à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016. Há estádios a construir, baías a despoluir, metrôs a prolongar, um mundaréu de inaugurações de araque a promover ─ até aeroportos a reformar, sabe-se agora. O que não há é tempo a perder.
Nesta quarta-feira, Silva apareceu no Congresso para avisar que 13 aeroportos precisam ser remodelados em regime de urgência urgentíssima. Como licitações são demoradas, melhor esquecer normas, regras, leis e outras mesquinharias. Melhor deixar por conta dos supercartolas a escolha das empresas que embolsarão, em conjunto, R$ 4 bilhões. Isso mesmo. Sem ter explicado que fim levaram aqueles R$ 4 bilhões, Orlando Silva vai distribuir outros R$ 4 bilhões.
Durante o governo Figueiredo, o ministro Mário Henrique Simonsen espantou-se com a gula do colega Mário Andreazza, sempre pronto para esvaziá-lo. “Ele pede tanto dinheiro e com tanta frequência que sugeri a criação de uma unidade monetária chamada andreazza”, divertia-se Simonsen. “Um andreazza valeria 1 trilhão de cruzeiros. Não muda nada, mas pelo menos a gente lida com menos zeros”.
O governo resolveu incorporar à capitania de Orlando Silva, que usa cartão corporativo até para comprar tapioca, uma certa Autoridade Pública Olímpica. Ficaria mais barato homenagear o fabricante de despesas duvidosas com a ideia de Simonsen. Lula deve criar imediatamente o orlando. Um orlando hoje estaria cotado em 4 bilhões de reais. Pode até valer um pouco mais em transações nas catacumbas de Brasília. Só sairá de circulação quando a Justiça começar a funcionar, o camburão estacionar do outro lado da rua e a gatunagem engravatada aumentar a população carcerária
21 de maio de 2010
- Por Augusto Nunes
Em janeiro de 2009, o Tribunal de Contas da União constatou que foi estabelecido, nos Jogos Pan-americanos do Rio, um recorde de espantar qualquer especialista internacional em desvio de verbas: o superfaturamento chegou a 1.000% de altitude. Graças a proezas semelhantes, os organizadores do Pan-2007, liderados por um aparente zero à esquerda, operaram o milagre da multiplicação do zero à direita.
Em 4 de abril de 2006, quando Orlando Silva virou ministro do Esporte, o evento estava orçado em R$ 386 milhões. Em parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro e a prefeitura carioca, o representante do PCdoB no primeiro escalão conseguiu torrar 10 vezes mais. Orlando Silva continua ministro. O paradeiro de boa parte dos R$ 4 bilhões continua ignorado.
Num país menos cafajeste, o campeão da gastança teria sido prontamente demitido. No Brasil da Era Lula, ficou melhor no retrato. Acampado no mesmo gabinete, administra no momento a catarata de verbas federais destinadas à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016. Há estádios a construir, baías a despoluir, metrôs a prolongar, um mundaréu de inaugurações de araque a promover ─ até aeroportos a reformar, sabe-se agora. O que não há é tempo a perder.
Nesta quarta-feira, Silva apareceu no Congresso para avisar que 13 aeroportos precisam ser remodelados em regime de urgência urgentíssima. Como licitações são demoradas, melhor esquecer normas, regras, leis e outras mesquinharias. Melhor deixar por conta dos supercartolas a escolha das empresas que embolsarão, em conjunto, R$ 4 bilhões. Isso mesmo. Sem ter explicado que fim levaram aqueles R$ 4 bilhões, Orlando Silva vai distribuir outros R$ 4 bilhões.
Durante o governo Figueiredo, o ministro Mário Henrique Simonsen espantou-se com a gula do colega Mário Andreazza, sempre pronto para esvaziá-lo. “Ele pede tanto dinheiro e com tanta frequência que sugeri a criação de uma unidade monetária chamada andreazza”, divertia-se Simonsen. “Um andreazza valeria 1 trilhão de cruzeiros. Não muda nada, mas pelo menos a gente lida com menos zeros”.
O governo resolveu incorporar à capitania de Orlando Silva, que usa cartão corporativo até para comprar tapioca, uma certa Autoridade Pública Olímpica. Ficaria mais barato homenagear o fabricante de despesas duvidosas com a ideia de Simonsen. Lula deve criar imediatamente o orlando. Um orlando hoje estaria cotado em 4 bilhões de reais. Pode até valer um pouco mais em transações nas catacumbas de Brasília. Só sairá de circulação quando a Justiça começar a funcionar, o camburão estacionar do outro lado da rua e a gatunagem engravatada aumentar a população carcerária
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O complexo de vira-lata foi aposentado pela síndrome do com-o-Brasil- ninguém-pode
AUGUSTO NUNES
“Se o acordo for ignorado, vamos reagir”, avisou Celso Amorim.
“Se vierem as sanções, os Estados Unidos vão se dar mal”, rosnou Marco Aurélio Garcia.
“Vou esperar para ver o que vem”, completou Lula com cara de quem acordou invocado.
Os recados do chanceler de bolso, do conselheiro para assuntos cucarachas e do presidente da potência emergente deixaram claro que a trinca recém-chegada de Teerã não estava para brincadeira. As demais nações que endossassem o acordo com os aiatolás atômicos. Se falassem em sanções contra o Irã, o desacato internacional ao Brasil e à Turquia não ficaria sem resposta.
É possível que tenham ocorrido falhas na tradução. É possível que os gringos tenham imaginado que o repertório de retaliações do Brasil não vai muito além do boicote à Copa do Mundo e do cancelamento do Carnaval. O fato é que ninguém deu importância às frases ameaçadoras.
Com o apoio das nações que efetivamente influenciam os destinos do mundo, o governo americano substituiu o acordo malandro por outra rodada de castigos aos iranianos provocadores. Restou a Lula botar a culpa nos ianques, proclamar-se vitorioso e bater em retirada.
O problema do país tropical, confirmou o mais recente dos incontáveis fiascos internacionais da Era da Mediocridade, não é o complexo de vira-lata. Essa disfunção, diagnosticada por Nelson Rodrigues, só deu as caras entre 1950, quando a derrota na final contra o Uruguai transformou o brasileiro no último dos torcedores, e 1958, quando a Seleção triunfou na Copa da Suécia.
O verdadeiro problema nacional é o contrário do complexo de vira-lata: é a síndrome de com-o-Brasil- ninguém-pode.
Aprende-se ainda no útero que a nossa bandeira é a mais bonita do mundo, embora ninguém se atreva a sair por aí tentando combinar camisa azul, calça verde e paletó amarelo. Aprende-se no berço que o nosso hino é o mais bonito do mundo, muitos sustenidos e bemóis à frente da Marselhesa. Aprende-se no jardim da infância que Deus é brasileiro, e portanto o país do futuro pode esperar que o futuro chegue dormindo em berço esplêndido.
Já chegou, acredita Lula, portador da síndrome em sua forma mais aguda. Ele decidiu que o país com quem ninguém pode é presidido por um governante que pode tudo. Acha-se capaz de solucionar conflitos cujas origens se perdem no tempo com fórmulas tão singelas quanto as usadas nos anos 70 pelo dirigente sindical escalado para entender-se com os patrões. Não enxerga diferenças entre povos divorciados por ódios milenares e um casal em crise. Dá palpites em conflagrações exemplarmente complexas com a desenvoltura de doutor no assunto. Essa mistura de ingenuidade, soberba e ignorância acabou produzindo uma forma muito singular de mitomania.
No cérebro de Lula, vale repetir, a área reservada à acumulação de conhecimentos é um terreno baldio. Por não ter assistido a uma só aula de geografia, ainda sofre para descobrir no mapa-múndi onde fica o Oriente Médio. Mas promete encerrar com duas conversas confrontos sobre os quais nada sabe.
Por nunca ter lido um livro de história, ignora que o Irã é a antiga Pérsia, confunde o xá com chá, não faz a menor ideia de quem foi Khomeini. Desconhece o passado que produziu os ahmadinejads do presente. Mas chama de amigo um vigarista juramentado que promoveu a parceiro preferencial.
Entre os flagelos que atormentam o Brasil figuram mais de 10 milhões de analfabetos, um sistema de saneamento básico que só cobre metade das moradias, cicatrizes apavorantes no sistema de saúde e de educação, favelas miseráveis penduradas em morros sem lei, fronteiras fora do alcance do Estado, zonas de exclusão que encolheram o mapa oficial em milhões de quilômetros quadrados, a violência epidêmica, a corrupção endêmica, o primitivismo político, uma demasia de carências a eliminar.
O presidente faz de conta que isso é conversa de inimigo da pátria e capricha na pose de conselheiro do mundo.
Candidato a secretário-geral da ONU, Lula já é um dos favoritos na disputa do título de idiota útil da década.
“Se o acordo for ignorado, vamos reagir”, avisou Celso Amorim.
“Se vierem as sanções, os Estados Unidos vão se dar mal”, rosnou Marco Aurélio Garcia.
“Vou esperar para ver o que vem”, completou Lula com cara de quem acordou invocado.
Os recados do chanceler de bolso, do conselheiro para assuntos cucarachas e do presidente da potência emergente deixaram claro que a trinca recém-chegada de Teerã não estava para brincadeira. As demais nações que endossassem o acordo com os aiatolás atômicos. Se falassem em sanções contra o Irã, o desacato internacional ao Brasil e à Turquia não ficaria sem resposta.
É possível que tenham ocorrido falhas na tradução. É possível que os gringos tenham imaginado que o repertório de retaliações do Brasil não vai muito além do boicote à Copa do Mundo e do cancelamento do Carnaval. O fato é que ninguém deu importância às frases ameaçadoras.
Com o apoio das nações que efetivamente influenciam os destinos do mundo, o governo americano substituiu o acordo malandro por outra rodada de castigos aos iranianos provocadores. Restou a Lula botar a culpa nos ianques, proclamar-se vitorioso e bater em retirada.
O problema do país tropical, confirmou o mais recente dos incontáveis fiascos internacionais da Era da Mediocridade, não é o complexo de vira-lata. Essa disfunção, diagnosticada por Nelson Rodrigues, só deu as caras entre 1950, quando a derrota na final contra o Uruguai transformou o brasileiro no último dos torcedores, e 1958, quando a Seleção triunfou na Copa da Suécia.
O verdadeiro problema nacional é o contrário do complexo de vira-lata: é a síndrome de com-o-Brasil- ninguém-pode.
Aprende-se ainda no útero que a nossa bandeira é a mais bonita do mundo, embora ninguém se atreva a sair por aí tentando combinar camisa azul, calça verde e paletó amarelo. Aprende-se no berço que o nosso hino é o mais bonito do mundo, muitos sustenidos e bemóis à frente da Marselhesa. Aprende-se no jardim da infância que Deus é brasileiro, e portanto o país do futuro pode esperar que o futuro chegue dormindo em berço esplêndido.
Já chegou, acredita Lula, portador da síndrome em sua forma mais aguda. Ele decidiu que o país com quem ninguém pode é presidido por um governante que pode tudo. Acha-se capaz de solucionar conflitos cujas origens se perdem no tempo com fórmulas tão singelas quanto as usadas nos anos 70 pelo dirigente sindical escalado para entender-se com os patrões. Não enxerga diferenças entre povos divorciados por ódios milenares e um casal em crise. Dá palpites em conflagrações exemplarmente complexas com a desenvoltura de doutor no assunto. Essa mistura de ingenuidade, soberba e ignorância acabou produzindo uma forma muito singular de mitomania.
No cérebro de Lula, vale repetir, a área reservada à acumulação de conhecimentos é um terreno baldio. Por não ter assistido a uma só aula de geografia, ainda sofre para descobrir no mapa-múndi onde fica o Oriente Médio. Mas promete encerrar com duas conversas confrontos sobre os quais nada sabe.
Por nunca ter lido um livro de história, ignora que o Irã é a antiga Pérsia, confunde o xá com chá, não faz a menor ideia de quem foi Khomeini. Desconhece o passado que produziu os ahmadinejads do presente. Mas chama de amigo um vigarista juramentado que promoveu a parceiro preferencial.
Entre os flagelos que atormentam o Brasil figuram mais de 10 milhões de analfabetos, um sistema de saneamento básico que só cobre metade das moradias, cicatrizes apavorantes no sistema de saúde e de educação, favelas miseráveis penduradas em morros sem lei, fronteiras fora do alcance do Estado, zonas de exclusão que encolheram o mapa oficial em milhões de quilômetros quadrados, a violência epidêmica, a corrupção endêmica, o primitivismo político, uma demasia de carências a eliminar.
O presidente faz de conta que isso é conversa de inimigo da pátria e capricha na pose de conselheiro do mundo.
Candidato a secretário-geral da ONU, Lula já é um dos favoritos na disputa do título de idiota útil da década.
Somos mesmo Terceiro Mundo!
JOÃO MELLÃO NETO
Quase ninguém se encoraja a abordar esse tema, mas é preciso que seja dito: o papel que o Brasil vem exercendo na diplomacia internacional é visto pelos especialistas como tolo e ingênuo, além de macular a nossa autoimagem de país sério.Aqui, na América do Sul, onde a nossa maior praga política, o populismo, renasce com força, não somos vistos como uma liderança, como deseja o governo. Quase todos os nossos vizinhos nos encaram como "o primo rico". Ou seja, aquele que tem sempre a obrigação de "pagar a conta".
O Chile - nosso atualmente único colega de subcontinente em condições de chegar ao Primeiro Mundo - nos ignora.
Já a Argentina - que foi realmente uma potência mundial até meados do século passado - vive nos chantageando para que o Mercosul não seja desmantelado. A todo momento o governo platense apresenta uma nova barreira comercial protecionista contra os produtos de exportação brasileiros, sob o enganoso pretexto de estar protegendo a sua economia nacional e seus interesses contra a "falta de simetria econômica" entre as duas nações. Ou seja, o mercado interno brasileiro está - e assim tem de permanecer - escancarado às investidas dos poucos produtos argentinos que têm preço competitivo. Já o mercado argentino está travado por barreiras contra o Brasil.
"Muy hermanos" esses nossos vizinhos. Mas os problemas que eles nos criam se resumem a isso. O governo "peronista" de Christina Kirchner não precisa de uma "mãozinha" política do Brasil. Os argentinos são muito orgulhosos e não aceitam favores desse tipo provenientes dos brasileiros.Com relação à Venezuela, é diferente. Hugo Chávez praticamente comprou a simpatia e a boa vontade dos argentinos. Para tanto se dispôs a assumir razoável parcela da dívida interna argentina. A Venezuela dispõe de recursos suficientes para tais atos de generosidade. Eles provêm do seu petróleo. Com tais divisas disponíveis, o "bolivarianismo" - o novo socialismo latino-americano - está sendo exportado para todo o continente.
E, atualmente, os grandes líderes políticos da região são os venezuelanos, e não os brasileiros.Seria natural que nós usufruíssemos tal condição. Afinal, o Brasil é o maior país do continente latino-americano - tanto em extensão territorial como em população e também em poder econômico. Mas a opção de nossos atuais governantes tem sido a de alimentar a nossa "consciência pesada" com relação aos nossos vizinhos. E eles bem sabem se aproveitar disso.
Evo Morales, na Bolívia, chegou ao poder com um discurso claramente antibrasileiro. Segundo ele, o Brasil, no passado, teria abusado da boa-fé boliviana para comprar o Acre "pelo preço de um cavalo". Como pouca gente, por aqui, conhece bem a História, a versão pegou. E serve, agora, para alimentar nos brasileiros um insuportável sentimento de culpa.Obviamente, não foi bem assim. E o que estamos pagando à Bolívia como uma forma de compensação tardia tem um preço muito elevado. Compramos o gás natural que eles produzem. O problema é que a nossa produção interna de gás é mais do que suficiente para atender às demandas da economia. O gás proveniente da Bolívia está literalmente sobrando. Mas jamais nos ocorreu suspender o contrato. E os líderes bolivianos vão, para sempre, continuar falando mal da gente.
No Brasil, as nossas esquerdas sempre alimentaram o discurso antiamericano. Ninguém percebe, por aqui, que, para os nossos vizinhos, os grandes imperialistas não são os norte-americanos, mas sim os brasileiros.
O atual governo do Equador, que apregoa ser nacionalista, começou a sua gestão estatizando várias empresas brasileiras. Foi uma atitude que pegou bem por lá. Ainda mais porque os nossos dirigentes aceitaram isso sem reclamar.
Agora, no Paraguai, o ex-bispo "progressista" Fernando Lugo venceu as eleições presidenciais prometendo renegociar o contrato de Itaipu, mais do que decuplicando o preço que o Brasil paga pela sua energia. Ainda não aconteceu nada, mas as nossas autoridades já deram seguidas demonstrações de que a boa vontade brasileira com relação ao pleito é imensa.
O apoio incondicional que o nosso governo tem dado a Hugo Chávez contradiz, na prática, o compromisso brasileiro com a democracia e as suas instituições. O mesmo argumento vale para Cuba. O nosso governo, para tanto, faz vista grossa a todos os atentados aos direitos humanos que por lá ocorrem.
Resultado: não logramos ser líderes de nada, na América Latina. Passamos até por alguns ridículos, como o de Honduras.
O nosso presidente foi convencido a visitar um monte de nações insignificantes da África como forma de se projetar no mundo. Em vão.
A maior cartada do nosso governo foi a suposta intermediação na questão do Irã. Para isso demos guarida institucional ao ditador de lá, quando o resto do mundo evita fazê-lo. O homem é um vira-lata internacional. E o que conseguimos com isso? Nada, além do vexame que protagonizamos nos últimos dias.
Presidente, não seria hora de repensar nossa política externa?Os seus assessores na área, nos últimos oito anos, têm lhe garantido que tais iniciativas tortuosas serviriam para que obtivéssemos uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Nunca estivemos tão longe disso. As nossas insólitas e erráticas investidas diplomáticas, ao contrário, criaram uma imagem do Brasil como um parceiro pouco confiável.
Presidente, ainda é tempo de botar esses incompetentes na rua!
Quase ninguém se encoraja a abordar esse tema, mas é preciso que seja dito: o papel que o Brasil vem exercendo na diplomacia internacional é visto pelos especialistas como tolo e ingênuo, além de macular a nossa autoimagem de país sério.Aqui, na América do Sul, onde a nossa maior praga política, o populismo, renasce com força, não somos vistos como uma liderança, como deseja o governo. Quase todos os nossos vizinhos nos encaram como "o primo rico". Ou seja, aquele que tem sempre a obrigação de "pagar a conta".
O Chile - nosso atualmente único colega de subcontinente em condições de chegar ao Primeiro Mundo - nos ignora.
Já a Argentina - que foi realmente uma potência mundial até meados do século passado - vive nos chantageando para que o Mercosul não seja desmantelado. A todo momento o governo platense apresenta uma nova barreira comercial protecionista contra os produtos de exportação brasileiros, sob o enganoso pretexto de estar protegendo a sua economia nacional e seus interesses contra a "falta de simetria econômica" entre as duas nações. Ou seja, o mercado interno brasileiro está - e assim tem de permanecer - escancarado às investidas dos poucos produtos argentinos que têm preço competitivo. Já o mercado argentino está travado por barreiras contra o Brasil.
"Muy hermanos" esses nossos vizinhos. Mas os problemas que eles nos criam se resumem a isso. O governo "peronista" de Christina Kirchner não precisa de uma "mãozinha" política do Brasil. Os argentinos são muito orgulhosos e não aceitam favores desse tipo provenientes dos brasileiros.Com relação à Venezuela, é diferente. Hugo Chávez praticamente comprou a simpatia e a boa vontade dos argentinos. Para tanto se dispôs a assumir razoável parcela da dívida interna argentina. A Venezuela dispõe de recursos suficientes para tais atos de generosidade. Eles provêm do seu petróleo. Com tais divisas disponíveis, o "bolivarianismo" - o novo socialismo latino-americano - está sendo exportado para todo o continente.
E, atualmente, os grandes líderes políticos da região são os venezuelanos, e não os brasileiros.Seria natural que nós usufruíssemos tal condição. Afinal, o Brasil é o maior país do continente latino-americano - tanto em extensão territorial como em população e também em poder econômico. Mas a opção de nossos atuais governantes tem sido a de alimentar a nossa "consciência pesada" com relação aos nossos vizinhos. E eles bem sabem se aproveitar disso.
Evo Morales, na Bolívia, chegou ao poder com um discurso claramente antibrasileiro. Segundo ele, o Brasil, no passado, teria abusado da boa-fé boliviana para comprar o Acre "pelo preço de um cavalo". Como pouca gente, por aqui, conhece bem a História, a versão pegou. E serve, agora, para alimentar nos brasileiros um insuportável sentimento de culpa.Obviamente, não foi bem assim. E o que estamos pagando à Bolívia como uma forma de compensação tardia tem um preço muito elevado. Compramos o gás natural que eles produzem. O problema é que a nossa produção interna de gás é mais do que suficiente para atender às demandas da economia. O gás proveniente da Bolívia está literalmente sobrando. Mas jamais nos ocorreu suspender o contrato. E os líderes bolivianos vão, para sempre, continuar falando mal da gente.
No Brasil, as nossas esquerdas sempre alimentaram o discurso antiamericano. Ninguém percebe, por aqui, que, para os nossos vizinhos, os grandes imperialistas não são os norte-americanos, mas sim os brasileiros.
O atual governo do Equador, que apregoa ser nacionalista, começou a sua gestão estatizando várias empresas brasileiras. Foi uma atitude que pegou bem por lá. Ainda mais porque os nossos dirigentes aceitaram isso sem reclamar.
Agora, no Paraguai, o ex-bispo "progressista" Fernando Lugo venceu as eleições presidenciais prometendo renegociar o contrato de Itaipu, mais do que decuplicando o preço que o Brasil paga pela sua energia. Ainda não aconteceu nada, mas as nossas autoridades já deram seguidas demonstrações de que a boa vontade brasileira com relação ao pleito é imensa.
O apoio incondicional que o nosso governo tem dado a Hugo Chávez contradiz, na prática, o compromisso brasileiro com a democracia e as suas instituições. O mesmo argumento vale para Cuba. O nosso governo, para tanto, faz vista grossa a todos os atentados aos direitos humanos que por lá ocorrem.
Resultado: não logramos ser líderes de nada, na América Latina. Passamos até por alguns ridículos, como o de Honduras.
O nosso presidente foi convencido a visitar um monte de nações insignificantes da África como forma de se projetar no mundo. Em vão.
A maior cartada do nosso governo foi a suposta intermediação na questão do Irã. Para isso demos guarida institucional ao ditador de lá, quando o resto do mundo evita fazê-lo. O homem é um vira-lata internacional. E o que conseguimos com isso? Nada, além do vexame que protagonizamos nos últimos dias.
Presidente, não seria hora de repensar nossa política externa?Os seus assessores na área, nos últimos oito anos, têm lhe garantido que tais iniciativas tortuosas serviriam para que obtivéssemos uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Nunca estivemos tão longe disso. As nossas insólitas e erráticas investidas diplomáticas, ao contrário, criaram uma imagem do Brasil como um parceiro pouco confiável.
Presidente, ainda é tempo de botar esses incompetentes na rua!
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