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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Em nota, Aécio desautoriza acordo feito em CPI

Josias de Souza

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Presidente do PSDB federal, o senador Aécio Neves divulgou uma nota para informar que o partido “não pactua” com acordos celebrados com o objetivo de inibir investigações na CPI mista da Petrobras. Na véspera, conforme já comentado aqui, tucanos e petistas acertaram-se a portas fechadas para excluir da pauta da comissão requerimentos de convocação de personagens que as duas legendas preferem não inquirir.
A nota de Aécio tem dois parágrafos. Num, lê-se o seguinte: “O PSDB não pactua com qualquer tipo de acordo que impeça o avanço das investigações da CPMI da Petrobras.”
Noutro, está escrito: “Lutamos pela instalação da CPMI. Temos de ir a fundo na apuração do chamado 'petrolão' e na responsabilização de todos que cometeram eventuais crimes, independentemente da filiação partidária. Essa é a posição inarredável do PSDB.”
No acordo que Aécio desautoriza, representantes do PSDB na CPI concordaram em mandar à gaveta requerimento de convocação do tesoureiro petista João Vaccari Neto, acusado de receber em nome do PT propinas oriundas da Petrobras. Engavetaram-se também convocatórias da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do seu marido, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento). A dupla foi associada a uma propina de R$ 1 milhão. Dinheiro supostamente usado na campanha de Gleisi ao Senado, em 2010.
Quanto ao PSDB, conseguiu retirar da pauta requerimento de convocação de personagens como o empresário Leonardo Meirelles, um laranja do doleiro Alberto Youssef que declarou à Justiça ter repassado propinas provenientes do petro-esquema para o ex-presidetne do PSDB Sérgio Guerra, já morto.
“Gente, foi um acordo político, feito por todos os presentes, que se resolveu, em função da falta de densidade das denúncias, não produzir nenhum tipo de oitiva neste momento'', disse o relator da CPI, o petista Marco Maia. “Decidimos excluir os agentes políticos e os citados nas delações premiadas. Abrimos mão de ouvir Gleisi e Vaccari. Todo mundo concordou'', ecoou o deputado tucano Carlos Sampaio, que atuou como coordenador jurídico da campanha presidencial de Aécio.
Antes de divulgar sua nota, Aécio falou sobre Petrobras numa entrevista à Rádio Estadão. Disse que, no encerramento da CPI, em dezembro, se o esquema montado na estatal não estiver “elucidado em profundidade”, iniciará em fevereiro a coleta de assinaturas para uma nova comissão de inquérito.
“Já anunciei que, a partir de fevereiro, na reabertura do Congresso, vamos reiniciar a coleta de assinaturas para uma outra CPMI. Essa é uma questão que o governo não vai poder sobre ela colocar uma pedra, como parece querer fazer.”
Um dos entrevistadores recordou a Aécio que seu partido participara do acordo celebrado na CPI na quarta-feira. E ele: “Concordo com você. Na verdade, nós temos uma minoria, do ponto de vista numérico, pouco expressiva na CPMI. O governo é que define as oitivas. Ele define quem são as pessoas a serem chamadas. Eu não participei dessas reuniões. Mas, no que depender de mim, se não for possível chamar ainda esse ano, que isso seja feito a partir do início do ano que vem.”
Recordou-se também a Aécio a acusação de que seu correligionário Sérgio Guerra teria recebido R$ 10 milhões em propinas. “Essa investigação é de responsabilidade exclusiva desse governo, que montou essa diretoria [da Petrobras] durante 12 anos'', reagiu Aécio. “Se tem alguém de qualquer outro partido que recebeu propina, tem que ser responsabilizado, sim. Mas querer dividir essa responsabilidade!”
Aécio prosseguiu: “Eles montaram essa diretoria que, durante 12 anos, sustentou a base de apoio desse governo. É deles a responsabilidade. Não se presta um bom serviço querer misturar as coisas. Esse é o jogo dos que estão no governo. Essa CPMI existe porque eu liderei um conjunto de senadores que foi ao STF no ano passado. E, lá no Supremo, nós conseguimos que ela fosse instalada, porque a base do governo no Senado e na Câmara não queria que ela fosse instada….”
Arrematou: “Nós estamos vendo o Brasil submetido ao mais grave esquema de corrupção, pelo menos que eu tenho notícia. Tem que investigar todo mundo, seja do PT, de fora do PT. Se tem alguém de fora do partido que foi beneficiado por esse esquema tem que ser punido exemplarmente também. Mas a responsabilidade pela indicação desses diretores, por essa corrupção sistêmica que durante 12 anos alimentou o caixa de partidos políticos e em especial do PT, através do seu tesoureiro, precisa ser investigado em profundidade. E nós vamos cobrar que isso continue acontecendo.”
Diante da manifestação do seu presidente, o PSDB, naturalmente, irá desfazer o acordo que firmou na CPI. Na próxima reunião da comissão, marcada para a semana que vem, os representantes do tucanato no colegiado decerto guerrearão com desassombro pela convocação de quem deve ser convocado. Aécio tem razão quando afirma que a oposição é minoritária. Porém, numa CPI cenográfica, os oposicionistas por vezes exercem melhor suas atribuições quando viram a mesa, não quando se sentam à mesa.
http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2014/11/06/em-nota-aecio-desautoriza-acordo-feita-em-cpi/

Quando a realidade desmonta o marketing


Entre 2012 e 2013, houve um aumento de 3,68% no número de indivíduos considerados abaixo da linha da pobreza ou indigentes — passaram de 10.081.225 para 10.452.383, ou seja, mais de 371.000 pessoas entraram para o grupo de miseráveis no período. São brasileiros que têm renda mensal inferior a R$ 70. É o primeiro aumento desde 2003, quando o indicador passou a cair ano a ano. Para maiores esclarecimentos, leia o post do blog do jornalista Matheus Leitão (http://goo.gl/JQCQcN) e veja a reportagem de Cristina Serra no Jornal Nacional (http://goo.gl/tzqXbK).

Analistas e técnicos dizem que os efeitos nocivos da inflação voltam a fazer vítimas na camada mais desprotegida da sociedade brasileira. Em sua campanha, a presidente candidata negou com veemência que o aumento dos preços colocaria sob risco as conquistas de melhoria de renda dos mais pobres.

A tática de esconder maus resultados também foi seguida pela Receita Federal que, na véspera do segundo turno, determinou que as estatísticas sobre a arrecadação em setembro não poderiam ser expostas ao público antes da contagem dos votos.

No último dia 29, a expectativa dos especialistas sobre a redução das receitas tributárias se confirmou. Entraram nos cofres do governo R$ 90,722 bilhões, valor 4,42% inferior ao registrado em agosto. Mais um forte sinal da retração acentuada da economia brasileira.
Ainda há doses de realidade guardadas. A sociedade espera a palavra das autoridades governamentais sobre o desmatamento da Amazônia e o desempenho dos alunos da rede pública em português e matemática.

Sobre o patrimônio ambiental, já se sabe que o quadro é preocupante. Em outubro, o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), organização de prestígio científico que monitora o grau de preservação da Amazônia Legal, divulgou, como de hábito, os dados de seus estudos. Neles consta que entre agosto e setembro o desmatamento da região cresceu 191% em relação ao mesmo período de 2013. Foram perdidos 838 quilômetros quadrados de cobertura vegetal.

O jogo de esconde das estatísticas que jogam luz na realidade para avaliar a eficiência do governo em assuntos estratégicos também contou com o reforço da Casa Civil da Presidência da República. Desde agosto, as gavetas do Planalto guardam o relatório sobre o desempenho dos alunos da rede pública em português e matemática no Ideb (exame aplicado a cada dois anos). Os resultados eram tradicionalmente apresentados até aquele mês. Por meio de dados secundários, é possível estimar que os estudantes do ensino médio tiveram notas piores na prova nacional. O governo alega que trabalha para tornar os dados do exame mais completos.

Será que agora, sem escapatória diante da realidade, o governo e seus aliados vão encarar o debate que interditaram e mascararam com um marketing selvagem, desprovido de qualquer filtro ético, sustentado na mentira e na boataria, para ganhar a eleição? Essa forças políticas terão de explicar às brasileiras e aos brasileiros quais as saídas para impedir a avalanche de retrocessos que se observa na economia e na gestão pública: fisiologismo, corrupção, baixo investimento, elevação de juros e da inflação, aumento do desmatamento e, agora, como se não bastasse, retrocesso até na área em que se diziam imbatíveis, com o aumento da degradação social.

Alertei nas duas campanhas presidenciais de que participei: o atraso na política continua sendo a maior ameaça para que o Brasil perca as conquistas sociais e econômicas que, a duras penas, alcançou nas últimas duas décadas.

O atraso político, infelizmente, permanece e prevalece. Com quem o povo brasileiro pode contar para reconhecer, debater e superar seus graves problemas?

De todo modo, algo já melhora: passadas as eleições, diminui o tempo da propaganda eleitoral e aumenta a dose de realidade, que, por mais dura que seja, é melhor do que o mundo colorido do marketing que a subtraiu do debate eleitoral.

http://marinasilva.org.br/quando-realidade-desmonta-o-marketing/

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Lava-Jato

Doleiro confirma pagamento a ex-ministra Gleisi Hoffmann 

Youssef teria doado R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi ao Senado. Intermediário seria seu marido e ministro da Comunicações, Paulo Bernardo

A senadora Gleisi Hoffman
A senadora Gleisi Hoffman (Alan Marques/Folhapress/VEJA)
O doleiro Alberto Youssef afirmou em sua delação premiada que deu 1 milhão de reais para a campanha de 2010 da ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi eleita senadora naquele ano. Alvo central da Operação Lava-Jato, o doleiro disse que o valor foi entregue a um empresário, dono de shopping em Curitiba (PR), em quatro parcelas: três no centro de compras e outra na casa dele, em um condomínio de alto padrão da capital paranaense.
A afirmação de Youssef confirma o que disse o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, também em delação premiada, de que em 2010 recebeu pedido "para ajudar a campanha" de Gleisi. Segundo ele, foi o marido da senadora, o atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, quem fez a solicitação. Youssef confirmou esse pedido e disse ter viabilizado a entrega do valor.
O ex-diretor e o doleiro são réus do processo que apura superfaturamento, desvios, lavagem de dinheiro, corrupção e propina na Petrobras. O esquema, sob comando de PT, PMDB e PP, abasteceu outros partidos, como PSDB e PSB, segundo os delatores - ambos buscam redução de pena em troca das confissões e da colaboração com fatos novos nos processos.
Gleisi e Bernardo negam o pedido e o recebimento dos valores. A ex-ministra sustenta não conhecer o doleiro nem nunca ter tido contato com ele ou com o esquema sob investigação da Justiça Federal.
Depois de eleita em 2010, Gleisi se licenciou do Senado no começo de 2011 para assumir o cargo de ministra chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff - cargo que ocupou até o começo do ano, quando saiu para disputar o governo do Paraná. A petista ficou em terceiro lugar na disputa, com 14,9% dos votos. Naquela época, Bernardo era titular de Planejamento, Orçamento e Gestão do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua delação, Costa lembrou o fato de Bernardo, em 2010, ser ainda ministro do Planejamento. Com o início do governo Dilma, em 2011, o petista foi transferido para a pasta das Comunicações.
O ex-diretor da Petrobras disse que o repasse de 1 milhão de reais para a campanha da senadora "se comprova" na inscrição que ele próprio lançou em sua agenda pessoal, apreendida pela Polícia Federal no dia 20 de março, três dias depois da deflagração da Lava-Jato. Numa página do caderno de Costa consta, entre outras, a seguinte anotação: "PB 0,1". Segundo o delator da Lava Jato, o registro significa "Paulo Bernardo, 1 milhão de reais". Youssef, por sua vez, afirmou que os valores foram entregues ao empresário indicado por Bernardo por um emissário seu, que não teve o nome revelado.
Os investigadores da Lava-Jato acreditam que a quantia de 1 milhão de reais supostamente destinada à campanha de Gleisi em 2010 foi entregue em espécie. Eles procuram o emissário de Youssef, responsável pela entrega do dinheiro, para confirmar os pagamentos.
Costa já concluiu o processo de delação, após sucessivos depoimentos a um grupo de procuradores da República. Youssef decidiu seguir o mesmo caminho e ainda está fazendo declarações.
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/doleiro-confirma-pagamento-a-ex-ministra

» Francischini não quer presidente da Câmara alinhado ao governo

Francischini não quer presidente da Câmara alinhado ao governolíder do Solidariedade, deputado Fernando Francischini (SD-PR) também apoia o nome de Eduardo Cunha (PMDB) como candidato a presidência da Câmara dos Deputados para a legislatura que começa ano que vem.
Segundo o parlamentar paranaense Francischini,  “a candidatura do Eduardo é a única com potencial de não deixar a Câmara totalmente atrelada ao Planalto. O partido prefere somar força com alguém que não seja alinhado ao governo”,
Para viabilizar a candidatura de Eduardo Cunha, líderes do PSD na Câmara se juntam a outros partidos e tentam formar um "blocão". Nesta terça-feira (04), Cunha se reuniu com líderes de quatro partidos, que pode chegar a 152 deputados.
Participaram do encontro, promovido no apartamento de Eduardo Cunha, os líderes Jovair Arantes (PTB-GO), Bernardo Santana (PR-MG), André Moura (PSC-SE) e Fernando Francischini (SD-PR), este o único formalmente de oposição ao governo petista. Também estavam na reunião o presidente do Solidariedade, Paulinho Pereira, e o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Outras lideranças devem ser convidadas a integrar o bloco já na próxima semana. 
Em campanha, Eduardo Cunha tem tentado jogar panos quentes sobre a conturbada relação mantida com o Palácio do Planalto para atrair o voto de governistas. “Não há divergências. Se a gente não pode divergir, não há democracia”, disse, ressaltando que já participou de várias reuniões com a presidente Dilma Rousseff, quando chegou, inclusive, a ser "convencido" por ela em determinadas ocasiões.

com informações de Veja

http://www.revelia.com.br/index.php?pagina=posts&id=15539

Requião e Gleisi são vaiados ao defenderem decreto bolivariano no Senado

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Dois bolivarianos ultrapassados>>>
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) usou a tribuna do Senado na tarde de terça-feira (4) para criticar o papel da oposição ao barrar o decreto presidencial da presidente Dilma Rousseff (PT) que disciplinava a atuação de conselhos populares no Poder Executivo.

Ao final do discurso de quase 20 minutos, Requião passou a palavra à também senadora paranaense Gleisi Hofmann (PT), outra a defender o decreto. "É um absurdo a discussão que se travou em razão do decreto da presidente, que só visa a organização da administração pública federal". Antes de concluir a fala, Gleisi foi vaiada e, em seguida, defendida por Requião.
"Ao que posso atribuir essa espécie de uivo que escutei agora? Se estivesse eu na presidência do Senado neste momento, teria mandado evacuar esta galeria imediatamente. O Senado não é uma casa de brincadeira. Isso aqui não é um circo".

Requião e Gleisi foram adversários na última campanha para o governo do Paraná, vencida por Beto Richa (PSDB). O peemedebista teve 27,5% dos votos válidos, contra 14,8% da petista.(Com informações de BondeNews)

http://folhacentrosul.com.br/post-politica/6192/requiao-e-gleisi-sao-vaiados-ao-defenderem-decreto-bolivariano-no-senado